Já da morte o palor me cobre o rosto,
nos lábios meus o alento desfalece,
surda agonia o coração fenece,
e devora meu ser mortal desgosto!
Do leito embalde no macio encosto
tento o sono reter!...já esmorece
o corpo exausto que o repouso esquece...
eis o estado em que a mágoa me tem posto!
O adeus, o teu adeus, minha saudade,
fazem que insano do viver me prive
e tenha os olhos meus na escuridade.
Dá-me a esperança com que o ser mantive!
Volve ao amante os olhos por piedade,
olhos por quem viveu quem já não vive!
sábado, 3 de setembro de 2011
sábado, 23 de julho de 2011
Prefácio - Lira dos vinte anos
São os primeiros cantos de um pobre poeta. Desculpai-os.
As primeiras vozes do sabiá não têm a doçura dos seus cânticos de amor.
É uma lira, mas sem cordas: ( frustração amorosa)
uma primavera, mas sem flores, (juventude sem glória)
uma coroa de folhas, mas sem viço. ( símbolo do sucesso e da glória - sem verdor).
Cantos espontâneos do coração, vibrações doloridas da lira interna que agitava um sonho, notas que o vento levou, - como isso dou a lume essas harmonias.
São as páginas despedaçadas de um livro não lido...
E agora que despi a minha musa saudosa dos véus do mistério do meu amor e da minha solidão, agora que ela vai semi-nua e tímida por entre vós, derramar em vossas almas os últimos perfumes de seu coração - ó meus amigos, recebei-a no peito, e amai-a como o consolo que foi de uma alma esperançosa, que depunha fé na poesia e no amor - esses dous raios luminosos do coração de Deus.
Esse prefácio indica o pessimismo que são encontrados nos poemas da Lira dos vinte anos.
As primeiras vozes do sabiá não têm a doçura dos seus cânticos de amor.
É uma lira, mas sem cordas: ( frustração amorosa)
uma primavera, mas sem flores, (juventude sem glória)
uma coroa de folhas, mas sem viço. ( símbolo do sucesso e da glória - sem verdor).
Cantos espontâneos do coração, vibrações doloridas da lira interna que agitava um sonho, notas que o vento levou, - como isso dou a lume essas harmonias.
São as páginas despedaçadas de um livro não lido...
E agora que despi a minha musa saudosa dos véus do mistério do meu amor e da minha solidão, agora que ela vai semi-nua e tímida por entre vós, derramar em vossas almas os últimos perfumes de seu coração - ó meus amigos, recebei-a no peito, e amai-a como o consolo que foi de uma alma esperançosa, que depunha fé na poesia e no amor - esses dous raios luminosos do coração de Deus.
Esse prefácio indica o pessimismo que são encontrados nos poemas da Lira dos vinte anos.
sábado, 9 de julho de 2011
A Tempestade (fragmento)
Profeta escarnecido pelas turbas
disse-lhes, rindo, adeus!
Vim adorar na serrania escura
a sombra de meu Deus!
quinta-feira, 23 de junho de 2011
quinta-feira, 16 de junho de 2011
O lenço dela
Quando a primeira vez, da minha terra
deixei as noites de amoroso encanto,
a minha doce amante suspirando
volveu-me os olhos úmidos de pranto.
Um romance cantou de despedida,
mas a saudade amortecia o canto!
Lágrimas enxugou nos olhos belos...
e deu-me o lenço que molhava o pranto.
Quantos anos contudo já passaram!
Não olvido porém amor tão santo!
Guardo ainda num cofre perfumado
o lenço dela que molhava o pranto...
Nunca mais a encontrei na minha vida,
eu contudo, meu Deus, amava-a tanto!
Oh! quando eu morra estendam no meu rosto
o lenço que eu banhei também de pranto!
deixei as noites de amoroso encanto,
a minha doce amante suspirando
volveu-me os olhos úmidos de pranto.
Um romance cantou de despedida,
mas a saudade amortecia o canto!
Lágrimas enxugou nos olhos belos...
e deu-me o lenço que molhava o pranto.
Quantos anos contudo já passaram!
Não olvido porém amor tão santo!
Guardo ainda num cofre perfumado
o lenço dela que molhava o pranto...
Nunca mais a encontrei na minha vida,
eu contudo, meu Deus, amava-a tanto!
Oh! quando eu morra estendam no meu rosto
o lenço que eu banhei também de pranto!
sábado, 28 de maio de 2011
Trindade
A vida é uma planta misteriosa
Cheia d'espinhos, negra de amarguras,
Onde só abrem duas flores puras,
- Poesia e amor...
E a mulher... é a nota suspirosa
Que treme d'alma a corda estremecida,
- É fada que nos leva além da vida
Pálidos de languor!
A poesia é a luz da mocidade
O amor é o poema dos sentidos,
A febre dos momentos não dormidos
E o sonhar da ventura...
Voltai, sonhos de amor e de saudade!
Quero ainda sentir arder-me o sangue,
Os olhos turvos, o meu peito langue
E morrer de ternura!
Cheia d'espinhos, negra de amarguras,
Onde só abrem duas flores puras,
- Poesia e amor...
E a mulher... é a nota suspirosa
Que treme d'alma a corda estremecida,
- É fada que nos leva além da vida
Pálidos de languor!
A poesia é a luz da mocidade
O amor é o poema dos sentidos,
A febre dos momentos não dormidos
E o sonhar da ventura...
Voltai, sonhos de amor e de saudade!
Quero ainda sentir arder-me o sangue,
Os olhos turvos, o meu peito langue
E morrer de ternura!
sábado, 30 de abril de 2011
O Poeta
Que gemer! não me enganava!
Era anjo que velava
Minha casta solidão?
São minhas noites gozadas,
As aventuras tão choradas
Que vibram meu coração?
É tarde, amores, é tarde;
Uma centelha não arde
Na cinza dos seios meus...
por ela tanto chorei,
Que mancebo morrerei...
Adeus, amores, adeus!
Era anjo que velava
Minha casta solidão?
São minhas noites gozadas,
As aventuras tão choradas
Que vibram meu coração?
É tarde, amores, é tarde;
Uma centelha não arde
Na cinza dos seios meus...
por ela tanto chorei,
Que mancebo morrerei...
Adeus, amores, adeus!
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