Quando a primeira vez, da minha terra
deixei as noites de amoroso encanto,
a minha doce amante suspirando
volveu-me os olhos úmidos de pranto.
Um romance cantou de despedida,
mas a saudade amortecia o canto!
Lágrimas enxugou nos olhos belos...
e deu-me o lenço que molhava o pranto.
Quantos anos contudo já passaram!
Não olvido porém amor tão santo!
Guardo ainda num cofre perfumado
o lenço dela que molhava o pranto...
Nunca mais a encontrei na minha vida,
eu contudo, meu Deus, amava-a tanto!
Oh! quando eu morra estendam no meu rosto
o lenço que eu banhei também de pranto!
quinta-feira, 16 de junho de 2011
sábado, 28 de maio de 2011
Trindade
A vida é uma planta misteriosa
Cheia d'espinhos, negra de amarguras,
Onde só abrem duas flores puras,
- Poesia e amor...
E a mulher... é a nota suspirosa
Que treme d'alma a corda estremecida,
- É fada que nos leva além da vida
Pálidos de languor!
A poesia é a luz da mocidade
O amor é o poema dos sentidos,
A febre dos momentos não dormidos
E o sonhar da ventura...
Voltai, sonhos de amor e de saudade!
Quero ainda sentir arder-me o sangue,
Os olhos turvos, o meu peito langue
E morrer de ternura!
Cheia d'espinhos, negra de amarguras,
Onde só abrem duas flores puras,
- Poesia e amor...
E a mulher... é a nota suspirosa
Que treme d'alma a corda estremecida,
- É fada que nos leva além da vida
Pálidos de languor!
A poesia é a luz da mocidade
O amor é o poema dos sentidos,
A febre dos momentos não dormidos
E o sonhar da ventura...
Voltai, sonhos de amor e de saudade!
Quero ainda sentir arder-me o sangue,
Os olhos turvos, o meu peito langue
E morrer de ternura!
sábado, 30 de abril de 2011
O Poeta
Que gemer! não me enganava!
Era anjo que velava
Minha casta solidão?
São minhas noites gozadas,
As aventuras tão choradas
Que vibram meu coração?
É tarde, amores, é tarde;
Uma centelha não arde
Na cinza dos seios meus...
por ela tanto chorei,
Que mancebo morrerei...
Adeus, amores, adeus!
Era anjo que velava
Minha casta solidão?
São minhas noites gozadas,
As aventuras tão choradas
Que vibram meu coração?
É tarde, amores, é tarde;
Uma centelha não arde
Na cinza dos seios meus...
por ela tanto chorei,
Que mancebo morrerei...
Adeus, amores, adeus!
sábado, 19 de março de 2011
Quem sou?
Quem sou?
É difícil de dizer:
corri mundo, a cada instante mudando de nome e de vida.
Fui poeta, e como poeta cantei.
Bebi numa taverna com Bacage, ajoelhei-me na Itália sobre o túmulo de Dante, e fui à Grécia para sonhar como Byron naquele túmulo das glórias do passado.
Quem sou eu?
fui um poeta aos vinte anos,
um libertino aos trinta,
sou um vagabundo sem pátria e sem crenças aos quarenta...
Álvares de Azevedo, em Noite na taverna.
segunda-feira, 7 de março de 2011
Ai Jesus!
Ai Jesus! não vês que gemo,
que desmaio de paixão
pelos teus olhos azuis?
Que empalideço, que tremo,
que me expira o coração?
Ai Jesus!
Que por um olhar, donzela,
eu poderia morrer
dos teus olhos pela luz?
Que morte! que morte bela!
Antes seria viver!
Ai Jesus!
Que por um beijo perdido
eu de gozo morreria
Em teus níveos seios nus?
Que no oceano dum gemido
minh'alma se afogaria?
Ai Jesus!
que desmaio de paixão
pelos teus olhos azuis?
Que empalideço, que tremo,
que me expira o coração?
Ai Jesus!
Que por um olhar, donzela,
eu poderia morrer
dos teus olhos pela luz?
Que morte! que morte bela!
Antes seria viver!
Ai Jesus!
Que por um beijo perdido
eu de gozo morreria
Em teus níveos seios nus?
Que no oceano dum gemido
minh'alma se afogaria?
Ai Jesus!
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
No mar
Les étoiles s'allument au ciel, et la brise du soir erre doucement parmi les fleurs: rêvez, chantez et soupirez.
(George Sand)
No céu, as estrelas se iluminam e a brisa leve da noite passeia por entre as flores: sonhos, cantos e suspiros.
Era de noite - dormias,
do sonho nas melodias,
ao fresco da viração;
embalada na falua,
ao frio clarão da lua,
aos ais do meu coração!
Ah! que véu de palidez
da langue face na tez!
como teus seios revoltos
te palpitavam sonhando!
como eu cismava beijando
teus negros cabelos soltos!
Sonhavas? - eu não dormia;
A minh'alma se embebia
em tua alma pensativa!
e tremias, bela amante,
a meus beijos, semelhante
às folhas da sensitiva!
E que noite! que luar!
e que ardentias no mar!
e que perfumes no vento!
que vida que se bebia
na noite que parecia
suspirar de sentimento!
Minha rola, ó minha flor,
ó madressilva de amor!
como eras saudosa então!
como pálida sorrias
e no meu peito dormias
aos ais do meu coração!
E que noite! que luar!
como a brisa a soluçar
se desmaiava de amor!
como toda evaporava
perfumes que respirava
nas laranjeiras em flor!
Suspiravas? que suspiro!
ai que ainda me deliro
sonhando a imagem tua
ao fresco da viração,
aos ais do meu coração,
embalada na falua!
Como virgem que desmaia,
dormia a onda na praia!
tua alma de sonhos cheia
era tão pura, dormente,
como a vaga transparente
sobre seu leito de areia!
Era de noite - dormias,
do sonho nas melodias,
ao fresco da viração;
embalada na falua,
ao frio clarão da lua,
aos ais do meu coração!
(George Sand)
No céu, as estrelas se iluminam e a brisa leve da noite passeia por entre as flores: sonhos, cantos e suspiros.
Era de noite - dormias,
do sonho nas melodias,
ao fresco da viração;
embalada na falua,
ao frio clarão da lua,
aos ais do meu coração!
Ah! que véu de palidez
da langue face na tez!
como teus seios revoltos
te palpitavam sonhando!
como eu cismava beijando
teus negros cabelos soltos!
Sonhavas? - eu não dormia;
A minh'alma se embebia
em tua alma pensativa!
e tremias, bela amante,
a meus beijos, semelhante
às folhas da sensitiva!
E que noite! que luar!
e que ardentias no mar!
e que perfumes no vento!
que vida que se bebia
na noite que parecia
suspirar de sentimento!
Minha rola, ó minha flor,
ó madressilva de amor!
como eras saudosa então!
como pálida sorrias
e no meu peito dormias
aos ais do meu coração!
E que noite! que luar!
como a brisa a soluçar
se desmaiava de amor!
como toda evaporava
perfumes que respirava
nas laranjeiras em flor!
Suspiravas? que suspiro!
ai que ainda me deliro
sonhando a imagem tua
ao fresco da viração,
aos ais do meu coração,
embalada na falua!
Como virgem que desmaia,
dormia a onda na praia!
tua alma de sonhos cheia
era tão pura, dormente,
como a vaga transparente
sobre seu leito de areia!
Era de noite - dormias,
do sonho nas melodias,
ao fresco da viração;
embalada na falua,
ao frio clarão da lua,
aos ais do meu coração!
domingo, 4 de julho de 2010
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